26 de jun de 2016

Visita ao casarão que pertenceu ao Barão de Grão-Mogol

Realizei uma visita em 25 de Junho de 2016 ao casarão que pertenceu a Guálter Martins Pereira, o Barão de Grão-Mogol na Fazenda Angelica, Mata Grande, localizada em Ajapi, distrito da cidade de Rio Claro, interior de São Paulo. O Barão era um dos maiores produtores de café do país. A fazenda foi de sua propriedade entre 1881 e 1923.
Muitas histórias e lendas sobre o casarão são encontradas na internet, por isso minha curiosidade em conhecer o local.
Tive o prazer de conhecer na minha visita, o Sr. Ivair Rossi, proprietário e com quem conversei um pouco sobre a história do casarão.
É patrimônio histórico e cultural tombado pelo Condepahaat, porém, encontra-se em total deteriorização, o que constrange o Sr. Rossi, um senhor de 74 anos, extremamente gentil e bom papo.
Me contou que seu Avô Pedro Rossi foi quem comprou em 1923, o casarão que era do Barão.
Há muitas histórias contadas a respeito do Barão e confirmadas pelo Sr. Rossi, entre elas de que o mesmo prendeu sua esposa por 7 anos em um dos cômodos do casarão e que o mesmo assediava algumas escravas da fazenda, inclusive tendo filhos com algumas delas. Me contou o Sr. Rossi que de vez em quando aparecem pessoas que dizem ser netos e bisnetos do Barão. Contou-me também de furtos acontecidos há algumas décadas no casarão, onde pertences do Barão desapareceram.
Há também rumores de que no casarão já foram vistas algumas "assombrações", porém, isso é uma outra história.
O corpo do Barão encontra-se enterrado próximo ao casarão, conforme um pedido feito por ele mesmo e que havia sido registrado. Uma de suas netas é que descobriu o documento.
O local já foi tema jornalístico na Rede Globo através do programa da Ana Maria Braga e do Jornal EPTV. É fácil achar essas reportagens no Youtube.
Fato é que o local é histórico e extremamente interessante, apesar da degradação do prédio.
Escolas fazem visitas no local com frequência e há projeto de se tornar um ponto turístico.
Quero aqui deixar um agradecimento especial ao Sr. Ivair Rossi, proprietário do casarão e que permitiu que eu fotografasse o local.
Para chegar a fazenda onde está o casarão, o acesso é por uma estrada de terra que começa na via principal do distrito de Ajapi.
Seguem as fotos da minha visita.

Sr. Rossi, Eu e meu neto 

Início da estrada de terra 

Caminho para o casarão 

O casarão visto da estrada de terra 


Frente do casarão






Telhado deteriorado

Telhado deteriorado

Base de ferro maciço sustentando o teto 

Caixão que guardava pertences do Barão 

Telhado deteriorado

Janela de um dos cômodos

Trava para correntes usada nos escravos

Carroças antigas

Pequena parte do gado

Túmulo onde está enterrado o Barão 


23 de jun de 2016

Especial com o UFO


Em 20.06.2016 o programa Direto da Toca na Rádio Stay Rock Brazil realizou em especial de duas horas com a banda UFO, abrangendo toda a carreira da banda com um pouco de história e muita música. Para quem não conseguiu acompanhar o programa no dia, disponibilizo aqui no blog o link direto para audição no dia e hora mais adequada para você.

                                                  OUÇA AQUI 

9 de jun de 2016

Fred. O fim de uma era no tricolor.

De Janeiro de 2009 a Maio de 2016. Obrigado por tudo campeão. Boa sorte na sua caminhada dentro do futebol. Nós, os verdadeiros tricolores, jamais te esquecerão. Sucesso.

4 de jun de 2016

Diagnóstico: Câncer. E agora?

Se o título desse texto chamou a sua atenção, é porque provavelmente você conhece alguém ou está passando por essa situação. De imediato não se assuste. Quer um conselho? Não consulte o Dr. Google e confie plenamente no seu médico. Dito isso, segue o meu depoimento.
Minha história começa antes do câncer.
Entre Outubro de 2005 e Dezembro de 2010 precisei fazer 3 cirurgias para colocação de pinos, hastes e parafusos na coluna lombar devido a desgastes discais e hérnias de disco. Foi a solução encontrada para diminuir as fortes dores que me incomodavam muito nas costas. Mas a dor mais forte ainda estava por vir e era uma dor profunda, na alma.
Em 22 de Maio de 2015 fui diagnosticado com câncer.
O resultado da biópsia do tumor que estava no intestino era:
Adenocarcinoma moderadamente diferenciado ulcerado. Ou seja, câncer.
Me lembro como se fosse ontem. Era uma sexta feira pela manhã e fui buscar o resultado da biópsia de um fragmento retirado do meu intestino após um exame de rotina, a colonoscopia.
Cheguei em casa tranquilo após ir ao mercado e curioso como sou abri o envelope. O nome já me deixou ligeiramente preocupado mas não entendendo exatamente o que seria aquilo, fui ao Google. Verifiquei alguns sites de médicos e após ler o que significava, caí num choro compulsivo.
Neste momento, meu neto que estava dormindo em casa acordou e veio ao meu encontro. Sentado na cama, abracei-o tentando esconder meu choro ao mesmo tempo que minha esposa perguntava o que tinha acontecido. Dei a notícia a ela e fui ao banheiro chorar escondido. Logo depois chegou minha filha que me abraçou e enfim, são momentos que somente nós sabemos como foi e praticamente é impossível descrever em detalhes.
Aquele diagnóstico caiu como uma bomba na minha cabeça e eu não conseguia pensar em nada mais além de que iria morrer, afinal de contas, era um câncer. Minha filha saiu, levou meu neto e fiquei com minha esposa em choro compulsivo e sem palavras. Achava que o pior tinha chegado de uma maneira assustadora e avassaladora. Eu não conseguia imaginar porque estava passando por isso e perdi o rumo, assim como qualquer pessoa diagnosticada com câncer. O dia foi passando e quando achamos que não podia piorar, a tarde chegam em casa minha mãe e meu irmão dizendo que meu pai havia sido diagnosticado com doença de Parkinson.
Evidentemente não falei nada sobre a minha doença naquele momento e foi assim até uns 3 meses depois mas isso é uma outra história. Hoje meu pai está bem, medicado e com vida normal de um senhor de 83 anos.
Ainda anestesiados com a notícia, eu e minha esposa conversamos muito sobre qual caminho seguir. O médico que me pediu a colonoscopia entrou em férias e só me atenderia cerca de 30 dias depois. Eu não podia esperar. Consegui de emergência uma consulta com meu Cardiologista que me acompanha há uns 15 anos e levei o resultado da biópsia na intenção de que ele me orientasse qual caminho seguir. Não consegui falar uma só palavra e só chorava. Minha esposa e minha filha estavam junto e por ele ser um médico extremamente influente na Unimed, me indicou de imediato um especialista. Na mesma hora ele telefonou para esse médico e conseguiu uma consulta naquele mesmo dia.
Lá fomos e novamente quase não consegui falar. Minha esposa explicou a situação, ele viu os exames, o diagnóstico e me disse ali que o caminho a seguir seria uma cirurgia no intestino para a retirada do tumor e na sequência a quimioterapia. Perguntei a ele quais eram as minhas chances e ele me disse que por volta de 80%. Naquele momento eu disse a ele com a voz firme: "Dr. Marcelo, vamos fazer com que fique 100%."
Ali a minha vontade de viver aumentou sem limites e imediatamente começamos a realizar os exames pré-obrigatórios para a cirurgia.
Em 10 dias tudo estava pronto e agendado no Hospital da Unimed. Dali duas semanas eu seria operado e a cirurgia, um sucesso.
No primeiro dia fiquei na UTI. Meu cardiologista passou por lá e me disse que tudo ficaria bem porque eu estava em boas mãos. E eu tinha certeza absoluta disso. Inclusive estava nas mãos de Deus também. A fé foi uma companheira fundamental nesse processo todo. No segundo dia após a cirurgia já fui para o quarto e minha esposa ficou 24 horas ao meu lado no Hospital. Isso não tem preço. Após o quinto dia de internação fui liberado para ir para casa e seguir com o pós-operatório.
Dr. Marcelo me informou que na terceira semana após a cirurgia eu já estava preparado para o tratamento com quimioterapia.
Ele me indicou um Oncologista aqui na Unimed. Passei pela primeira consulta e ficou decidido que seriam 3 ciclos de quimioterapia na seguinte forma: 6 sessões seguidas as quintas-feiras com duas semanas de intervalo entre os ciclos para descanso. Como seriam 3 ciclos, 18 sessões de quimioterapia até o final do ano de 2015 e assim foi.
Nesse período, vários exames foram realizados regularmente.
O mais importante deles era a Tomografia Pet scan, que realiza uma profunda avaliação do corpo inteiro para saber se existem metástases, ou seja, lesão tumoral a partir de outra.
Meu resultado: não haviam metástases.
E voltando a quimioterapia, que pode ser bem assustadora. Como seria? O que eu iria sentir? Meu cabelo ia cair? Vou emagrecer? Vou vomitar? Enfim, cheguei ao centro de oncologia da Unimed aqui na cidade e o atendimento foi simplesmente fantástico. O médico oncologista, a psicóloga, a secretária, as enfermeiras e a sala de quimioterapia com toda estrutura necessária. A cada sessão meu sentimento principal era a vontade de viver, e só aumentava. Vi inúmeras pessoas com casos diferentes e alguns sem solução. Não é fácil ver tudo de perto.
As minhas sessões eram de aproximadamente 3 horas. Os ciclos não foram interrompidos e cheguei ao final do tratamento em 7 de Dezembro de 2015.
O que posso dizer sobre esses meses de tratamento com quimioterapia, é que são cansativos para o corpo que fica completamente indisposto. Eu não tinha vontade alguma de comer. O apetite é praticamente zero mas o esforço e a vontade de viver me levaria a seguir em frente.
Fiquei o segundo semestre de 2015 dentro de casa, saindo apenas para as consultas e tratamento e pouquíssimas vezes para visitar meus pais e ir no supermercado. Até mesmo me privei de dirigir.
Várias recomendações são necessárias quando você está em tratamento com quimioterapia.
É preciso ter muito cuidado para não pegar um resfriado, uma infecção que possa ocasionar febre que resultaria em internação para tratamento com antibióticos, fugir do sol para não causar manchas na pele, entre outros.
No meu caso, fiquei com manchas nos braços devido a medicação na veia, mas que ao fim do tratamento sumiram. Não tive perda de cabelo, no entanto, emagreci 15 quilos. Durante todo o período, vomitei apenas uma vez, na penúltima sessão do terceiro ciclo.
Pior que você se olhar no espelho e ver seu corpo modificando, emagrecendo, fica uma sensação de que tudo está se acabando. Mas com minha esposa sendo companheira como sempre foi, minha filha e meu genro dando apoio, eu querendo ver meu neto crescer e muita fé e oração, segui em frente com uma vontade absurda de viver.
Aos meus pais contei sobre a doença no intervalo do primeiro para o segundo ciclo e evidentemente tive o apoio necessário.
Passei cada dia daqueles meses com o corpo sofrido e mesmo com a tristeza por tudo aquilo que estava passando, pensei sempre na vida. Pensei sempre que eu iria escapar daquilo. Pensei sempre que eu teria uma segunda chance.
Refleti em vários momentos sobre o que é a vida. A sensação de impotência diante de tudo quando você recebe o diagnóstico de câncer, é indescritível. Por isso tento com esse meu depoimento, passar alguns dos momentos que tive durante esse período e o quanto foram importantes sim, para que saibamos dar um valor mais especial ainda as pessoas que nos querem bem, a vida e a Deus.
Não foi fácil. Porém, a doença não existe mais em meu corpo.
Me lembro que perguntei ao meu oncologista três semanas antes de terminar a quimioterapia:
"Dr, eu vou escapar dessa?" A resposta dele: "Já escapou.".
Três semanas após o fim do tratamento, novos exames e nenhum problema encontrado.
Agora tenho feito os exames de rotina e o acompanhamento médico.
O câncer tem cura sim, porém, é extramente importante e necessário que se faça os exames periodicamente. Um câncer diagnosticado em seu estágio inicial, tem cura.
Portanto, qualquer preconceito que as pessoas tenham em relação aos exames que necessariamente devem ser feitos principalmente após os 45 anos de idade, precisam ser jogados no lixo. Ninguém deixará de ser homem por causa deles.
Mais importante do que qualquer outra coisa, é viver.
Eu tive uma segunda chance. Agradeço cada dia novo que surge e assim será.
Ficou uma sequela após o término da quimioterapia. As pontas dos dedos das mãos e dos pés ficaram com dormência. De acordo com meu médico Oncologista, é um problema que acontece em várias pessoas após o final do tratamento. Os nervos sofrem com a medicação e voltam ao normal após meses ou até mesmo anos. Porém, o que importa é a vida.
Como sempre escrevo diariamente na minha rede social, em frente sempre. Ou também enfrente sempre. A vida é bela e vamos desfrutá-la sempre do lado do bem.

Agradecimento especial aos médicos:
Dr. Agnaldo Píspico (Cardiologista)
Dr. Marcelo Santos Guedes (Moléstias do Aparelho Digestivo)
Dr. André Luiz Gumiero (Oncologista)